Educação básica

Projeto de Lei do Senado nº 480 de 2007

Autor: Senador Cristovam Buarque

Ementa: Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

Fonte: http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166 em 15/06/2009

educacaoEm outras palavras: O senhor Cristovam Buarque resolveu tocar o terror na câmara.

Mas como assim? Matricular os filhos dos nossos representantes em escola públicas? Dependentes de programas do governo, ações comunitárias e de amiguinhos da escola? Mas que falta de bom censo desse nosso senador!!!

Pois é, esse cidadão resolveu esfregar na cara de todo mundo que a educação pública no Brasil está uma merda, e que alguma coisa precisa ser feita. E precisa ser feita logo.

Como eu já disse, sou funcionário público, e por caso trabalho em uma escola pública. Com isso, eu consigo entender mais ou menos como as coisas funcionam, e como devia funcionar. Hoje o ensino público é péssimo, não dá conta de atender a demanda, e mostra que é mais fácil empurrar o problema pra frente do que tentar resolvê-lo. E isso não se aplica apenas à cidade onde trabalho, isso está em todo o país.

Vamos do início, na capacitação dos professores. Se engana quem pensa que as crianças vão pra escola encontrar um mestre, o qual irá sanar todas suas dúvidas. Não vou cometer o crime da generalização, pois sei que existem ótimos profissionais, mas infelizmente, não representa  maioria. Existe um mal crônico chamado funcionarismo público, que protege todos esse professores, que fizeram um magistério nas coxas e não tem vontade de buscar um aperfeiçoamento. Os cursos de capacitação que fazem, nem de perto faz juz ao nome. Pra vocês terem uma idéia, a coisa funciona da seguinte maneira: O professor chega ganhando “x”. Se ele concluir algo que eleve seus conhecimentos, seu salário passa a ser “x+y”. Esse algo que eleve seu conhecimento pode ser cursos focados em determinadas áreas, mas precisam de uma certa carga horária, no geral 08 horas ou mais. E o que acontece quando o município oferece um curso com carga horária de 04 ou 06 horas? Não há motivo pro professor perder seu precioso tempo agregando esse conhecimento, pois este não elevará seu salário.

É muito comodismo, falta de interesse. Se um aluno de 4ª série perguntar qual a capital de Roraima, muitos irão desconversar. Eu juro que já vi a diretora da escola que trabalho ensinando m.m.c. para uma professora. É o tipo de profissional que não dura dois dias numa instituição privada

Mas não vamos culpar apenas os pobres assalariados, que acordam cedo para ganhar a mixaria que ganham. Tem muita coisa por trás disso ainda. Muita coisa que fora da educação, mas que está intimamente ligado. Questões sociais, de segurança e de conscientização por exemplo.

comunidade_carente

Imagine uma comunidade carente, com mais de 1500 crianças para serem atendidas. Dessas, algumas vão à escola sem nenhuma alimentação, esperando que isso aconteça na própria escola. É um problema que vem mais de trás. As famílias são carentes, dependem de programas do governo, e este não consegue forma de eliminar o desemprego, para que essa família possa se sustentar. É uma falta de estrutura tamanha, que uma coisa normal que se vê são crianças nas ruas, faltando às aulas, porque os pais não estão em casa para cumprir essa tarefa de orientá-los para isso. Nesse ponto não os culpo, pois muitos realmente têm que ir atrás do pão de cada dia, e às vezes não estão presentes nesse momento. Mas criança ausente na escola é um problema sério, de responsabilidade do município.

Acrescente a isso a marginalidade. Existe aquele bandidozinho que domina a região, e sempre tem o retardado com a mentalidade de que esse traficantezinho cuida da comunidade, diferente do governo, que não liga pra ninguém. E acham certo que a polícia nem apareça, pois esta não dá conta e é corrupta. Então temos outro problema, a polícia. Na minha humilde opinião, policial deveria chegar descendo o pau. Não admito bandido mandando em bairro. Mas infelizmente isso não acontece. Nesse ponto também há um despreparo e descontentamento com o que acontece em sua classe.

Com isso temos um problema de segurança  que não é resolvido, ajudando a criar um problema social, que a prefeitura não dá conta, gerando um problema na educação, onde temos professores despreparados. E é nesse ambiente suave e agradável que o senhor Buarque quer mandar os filhos dos políticos.

As coisas precisam mudar. Não se pode desistir só porque lá atrás não tem ninguém que ajude. Tem que ser revista muitas coisas para que esse nosso senador não seja taxado de louco e queimado em praça públicas.

NOTA: Existem muitas pessoas interessadas em fazer a coisa certa, em escolas, conselhos tutelares, organizações e até mesmo no governo. Pra essas pessoas eu sempre darei os meus parabéns.  Só é uma pena que não tem gente o suficiente

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